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(dentro desta página) Reunião dos
chanceleres do Rio de Janeiro (1942) Rodada Doha – O Dilema da Rodada Doha
Reunião dos chanceleres do Rio de Janeiro (1942)
Fonte: http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/anos3745/ev_guerranobr_reuniao.htm Convocada
por Washington em seguida ao ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de
1941, a III Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das
Repúblicas Americanas realizou-se no Rio de Janeiro em janeiro de 1942. O
principal objetivo da reunião era a aprovação unânime de uma resolução de
rompimento imediato de relações diplomáticas e comerciais dos países americanos
com o Eixo. Ao final, por força da recusa argentina e chilena em firmar tal
posição, foi aprovada uma resolução que apenas recomendava o rompimento de
relações. De
toda forma, a conferência logrou a aprovação de uma série de resoluções que
consolidavam a colaboração dos países do continente com os esforços de guerra
dos Estados Unidos. Os países latino-americanos se prometeram fornecer
matérias-primas estratégicas para a indústria bélica norte-americana, criar
condições propícias ao livre movimento de capitais e manter a ordem interna
para evitar a alteração de compromissos políticos assumidos com os Estados
Unidos. O
fato de não ter havido qualquer compromisso na área militar gerou
insatisfação em setores das Forças Armadas brasileiras interessados em
participar militarmente no conflito mundial ao lado dos Aliados. A resolução
a respeito limitava-se a criar uma agência de estudos sobre a defesa
continental, isto é, uma agência que visava a encorajar a solidariedade
hemisférica no plano militar, mas que não se destinava propriamente a assumir
funções relevantes de defesa da região. Como
parte de sua estratégia de negociação do alinhamento brasileiro aos Estados
Unidos, Vargas deixou para o último momento o anúncio do rompimento
brasileiro com os países do Eixo. Finalmente, tendo obtido do governo
Roosevelt o compromisso de reequipar suas Forças Armadas, o Brasil anunciou
sua decisão de romper relações diplomáticas com a Alemanha, a Itália e o
Japão, no dia de encerramento da Conferência. GATT – Rodada Kennedy
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Kennedy_Round A rodada Kennedy
(que recebeu este nome em homenagem à JFK, morto no ano anterior ao início
das negociações) foi a 6a. sessão de negociações do GATT, ocorrida em
1964-1967 em Genebra. A aprovação pelo congresso dos EUA do US Trade
Expansion Act em 1962 autorizou a Casa
Branca a conduzir negociações bilaterais tarifárias que eventualmente levaram
à Rodada Kennedy. Esta rodada teve quatro principais objetivos: cortar
tarifas ao meio com poucas exceções, derrubar restrições comerciais
agrícolas, eliminar barreiras não tarifárias e ajudar países em
desenvolvimento. A participação dos países foi bastante superior que em
rodadas anteriores do GATT. O acordo final foi assinado em Junho de 1967, no
ultimo dia permitido pelo US Trade Expansion Act.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u424650.shtml 21/07/2008 - 16h53 VINICIUS
ALBUQUERQUE Os representantes dos países-membros da OMC (Organização Mundial do Comércio) decidiram, durante a 4ª Conferência Ministerial da organização, realizada na cidade de Doha (Qatar), em 2001, lançar uma nova rodada de negociações para liberalização do comércio mundial. A nova rodada de negociações foi, então, chamada de Agenda de Doha para o Desenvolvimento (também conhecida como Rodada Doha) e iria também se concentrar na implementação dos acordos alcançados na rodada anterior --chamada de Rodada Uruguai, que durou de 1986 a 1994. A Rodada Uruguai foi realizada ainda sob o Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) e lançou a base para a criação da OMC, em 1º de janeiro de 1995. O Gatt tinha seu foco no comércio de bens; já a OMC abrange os acordos firmados no Gatt e inclui ainda acordos sobre serviços (reunidos no Gats, ou Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços, na sigla em inglês) e propriedade intelectual (no Trips, ou Acordo sobre Aspectos da Propriedade Intelectual Relativos ao Comércio, na sigla em inglês). Em 2003 foi realizada a 5ª Conferência Ministerial da OMC, em Cancún (México), com o objetivo de fazer prosseguirem as negociações, mas desacordos sobre questões no setor agrícola levaram a um impasse: de um lado, países ricos, que querem maior acesso aos mercados de bens e serviços dos países em desenvolvimento; de outro, estes últimos, que em troca querem mais espaço para seus produtos agrícolas nos mercados dos países ricos. Em 2004, os membros da OMC chegaram a um acordo para continuar a negociar a abertura comercial. Os países-membros do grupo estabeleceram como diretrizes básicas para o avanço da Rodada Doha: eliminação de subsídios e reforma dos mecanismos de crédito oferecidos pelos países ricos à produção agrícola para exportação e para a produção doméstica e o corte de tarifas de importação. De 13 a 18 de dezembro de 2005 foi realizada a Conferência Ministerial de Hong Kong, para implementar os acordos até então alcançados e fazer avançar a rodada. Sem sucesso. Na declaração final da conferência, os ministros haviam se comprometido a 'disciplinar' os créditos e subsídios aos exportadores e os programas de garantias de preços aos produtores, entre outras questões ligadas à área agrícola, até 30 de abril de 2006. O acordo não foi atingido até a data e, no dia 24 de julho do mesmo ano, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, suspendeu as negociações, devido ao impasse em que encerrou um encontro entre os representantes dos principais países envolvidos na rodada --Brasil, Austrália, União Européia (UE), Índia, Japão e EUA. 'Estamos em um impasse horrível', disse Lamy então. Em janeiro de 2007, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), algumas das autoridades presentes concordaram em retomar o diálogo sobre a Rodada Doha. Lamy disse à época que os ministros concluíram que o momento era adequado para retomar o 'modo de negociação total', depois que os EUA, a União Européia e outros membros chave reportaram algum progresso em conversações bilaterais. Em junho de 2007, Brasil, UE (União Européia), EUA e Índia se reuniram na cidade de Potsdam (Alemanha) para retomar as discussões e destravar a Rodada Doha. A reunião, no entanto, acabou dois dias antes do previsto, quando Brasil e Índia decidiram se retirar das negociações com o chamado G4, que inclui ainda Estados Unidos e UE. Em setembro daquele ano, o chefe do grupo das negociações agrícolas da OMC, o neozelandês Crawford Falconer, disse que os EUA indicaram disposição para limitar os subsídios à produção agrícola no país ao nível de variação entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões proposto em julho. À época o governo americano condicionava a redução do teto para os subsídios agrícolas à aceitação, por parte dos outros países ricos (principalmente da União Européia), de cortes em suas tarifas agrícolas. Em 2006, o governo americano pagou US$ 11 bilhões em subsídios, mas queria mais flexibilidade -- isso em um período em que os preços mundiais dos produtos agrícolas vinham desacelerando. Em janeiro deste ano, Falconer havia prometido um rascunho de proposta para o setor agrícola para o fim daquele mês. O documento teve, desde então, quatro edições. No caso de se chegar a um acordo sobre agricultura e produtos industriais neste mês haveria tempo para a conclusão das outras áreas (mais de 20) no terceiro trimestre e chegar a um acordo ainda em 2008. Caso contrário, será quase impossível concluir a Rodada Doha neste ano e, portanto, as negociações ficariam em um ponto sem final previsível, segundo afirmam a maioria dos membros da OMC.
Rodada Doha – O Dilema da Rodada Doha
Fonte:
The Economist – 29/05/2008 http://www.economist.com/finance/displaystory.cfm?story_id=11453701&fsrc=RSS The THE global food crisis has shone a harsh spotlight
on the consequences of government meddling in agriculture. Poor people go
hungry, in part, because Americans pay their farmers to divert crops from
food to fuel. But in at least two areas, the crisis has emboldened those who
are sceptical of free markets in food. The first is “food security”. Politicians in rich
and poor countries have seized on recent price spikes as proof that free farm
trade is a risky business and self-sufficiency a worthy goal. The second area
concerns the poor. For years reformers have advocated freer trade on the
grounds that market distortions, particularly the rich world's subsidies,
depress prices and hurt rural areas in poor countries, where three-quarters
of the world's indigent live. The The argument for self-sufficiency is easiest to
counter. Anyone who believes autarky is the route to food security should
look at starving The links between trade, food prices and poverty
reduction are more subtle. Different types of reform have diverse effects on
prices. When countries cut their tariffs on farm goods, their consumers pay
lower prices. In contrast, when farm subsidies are slashed, world food prices
rise. The lavishness of farm subsidies means that the net effect of fully
freeing trade would be to raise prices, by an average of 5.5% for primary
farm products and 1.3% for processed goods, according to the World Bank. These effects are still much smaller than recent
food-price spikes, but would they, on balance, help or hurt the poor? In
crude terms, food-exporting countries gain in the short term whereas net
importers lose. Farmers are better off; those who buy their food fare worse. Although
most of the world's poor live in rural areas, they are not, by and large, net
food sellers. A forthcoming study* of nine poor countries by M. Ataman Aksoy and Aylin Isik-Dikmelik, two economists at the World Bank, shows
that even in very rural countries, such as Bangladesh and Zambia, only
one-fifth of households sell more food than they buy. That suggests the
losers may outnumber winners. But things are not so simple. The authors point out
that net food buyers tend to be richer than net sellers, so high food prices,
on average, transfer income from richer to poorer households. And prices are
not the only route through which poverty is affected. Higher farm income
boosts demand for rural labour, increasing wages
for landless peasants and others who buy rather than grow their food. Several
studies show this income effect can outweigh the initial price effect. Finally,
the farm sector itself can grow. Decades of underinvestment in agriculture
have left many poor countries reliant on imports: over time that can change. The World Bank has often argued that the balance of all
these factors is likely to be positive. Although freer farm trade—and higher
prices—may raise poverty rates in some countries, it will reduce them in
more. One much-cited piece of evidence is a study† by Thomas Hertel, Roman Keeney, Maros Ivanic and Alan Winters. This analysis simulated the
effect of getting rid of all subsidies and barriers on global prices and
trade volumes. It then mapped these results on to detailed household
statistics in 15 countries, which between them covered 1 billion people. Fully
free trade in farm goods would reduce poverty in 13 countries while raising
it in two. A question of numbers But lately the bank seems to be taking a different
line. Robert Zoellick, the bank's president, claims
that the food-price crisis will throw 100m people below the poverty line,
undoing seven years of progress. His figure comes from extrapolating the
results of a different study** by Mr Ivanic and Will Martin, another World Bank economist. This
study analyses the effects of more expensive staple foods on poverty by
examining household surveys in nine countries. In seven cases, higher food
prices meant more poverty. (Dani Rodrik, a blogging Harvard economist, was one of the
first to highlight the tension between these studies.) In fact, the bank's results are not as contradictory
as they seem. The two studies are based on different sets of countries: only These subtleties suggest two conclusions. First, the bank, and others,
should beware sweeping generalisations about the
impact of food prices on the poor. Second, the nature of trade reform
matters. Removing rich-country subsidies on staple goods, the focus of much
debate in the
A seguir uma compilação de artigos recentes (do final de julho de 2007) sobre o fracasso das negociações em Doha e suas implicações.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/07/060725_omcperguntasaw.shtml
Como fica a Rodada
Doha após fracasso das negociações?
As negociações da Rodada Doha, que
buscavam um acordo para a liberalização do comércio internacional, foram
suspensas nesta segunda-feira depois do fracasso de novas negociações.
Esse fracasso coloca em risco o esforço de anos de negociações e campanhas de ONGs e ativistas para criar melhores condições de comércio internacional, que pudessem beneficiar principalmente os países mais pobres. Mas o acontece agora? Como fica a situação para os principais envolvidos nas negociações? A BBC responde algumas questões sobre o assunto. O que representam essas negociações para as pessoas em países ricos e pobres? O mundo tem tentado chegar a um novo acordo para expandir o livre comércio. As conversas vinham sendo realizadas desde 2001, mas o progresso tem sido muito lento. Uma reunião-chave, realizada em Hong Kong em dezembro de 2005, ficou bem aquém das expectativas iniciais. Defensores de um acordo comercial argumentam que ele ajudaria a acabar com a pobreza em países em desenvolvimento, enquanto países ricos também poderiam se beneficiar com a possibilidade de vender mais bens e serviços no exterior. Eles dizem que um acordo estimularia o crescimento global e aumentaria o número de empregos, mas críticos afirmam que ele custaria postos de trabalho em países em desenvolvimento e prejudicaria as pessoas pobres. Por que as negociações foram suspensas? Desde o fim do encontro de Hong Kong, a Organização Mundial de Comércio (OMC) definiu uma série de prazos para tentar avançar nas negociações. A questão mais importante diz respeito à redução, por parte dos Estados Unidos e da União Européia, de barreiras à exportações agrícolas de países em desenvolvimento, incluindo subsídios e tarifas. Em contrapartida, os países ricos querem que grandes países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, reduzam suas barreiras para importações de bens manufaturados. Porém, após quatro anos de conversas, parece que nenhuma das partes importantes está preparada para se comprometer o suficiente para impulsionar as negociações rumo a uma conclusão. Um dos problemas tem sido a forte pressão dos lobbies agrícolas nos Estados Unidos e na União Européia para evitar grandes reduções da proteção no setor. De quem é a culpa? Desde que as perspectivas de um acordo diminuíram, cada lado busca culpar o outro. A União Européia diz que os Estados Unidos têm sido muito ambiciosos e não mostraram flexibilidade suficiente para se chegar a um acordo. Os Estados Unidos, por sua vez, culpam as pressões protecionistas da Política Comum Agrícola da União Européia. Já os países em desenvolvimento dizem que as nações ricas nunca estiveram seriamente comprometidas em abrir seus mercados, e enquanto elas não o fizerem, eles também não terão pressa em fazer o mesmo. O principal problema é que o livre comércio agrícola - o grande assunto desta rodada - é muito mais difícil de negociar do que o livre comércio de bens manufaturados. Apesar de pequenos, os lobbies agrícolas são poderosos e os lobbies industriais nos países ricos não exerceram muita influência para impulsionar um acordo de comércio. O que ocorre daqui para frente? As negociações podem ser retomadas posteriormente, mas elas enfrentam um grande obstáculo nos Estados Unidos. O Congresso americano deu ao governo um mandato negociador, o "fast track", apenas até julho de 2007. "Fast track", ou autoridade de promoção comercial, significa que o Congresso é obrigado a aprovar ou vetar o acordo inteiro, o que evita com que a oposição possa adicionar emendas e com isso forçar os Estados Unidos a renegociar o acordo inteiro. No atual ambiente político do Congresso americano, antes das eleições de novembro e com a impopularidade de acordos comerciais por causa de um imenso déficit comercial, é bem provável que não haja extensão do "fast track". E qualquer acordo comercial sem a participação da maior economia do mundo não teria sentido. Portanto, a idéia de retomar as conversas dentro de alguns meses parece irreal. E se a rodada de comércio entrar em colapso? Pode ser muito cedo para dizer que este é o fim total desta rodada de negociações comerciais - algumas rodadas duraram vários anos. Um fracasso na conclusão de uma rodada de comércio pode ter sérias conseqüências para a OMC, que foi criada apenas em 1995, e para o sistema de comércio multilateral. Os países poderão cada vez mais fechar acordos comerciais bilaterais entre eles, o que deixaria os países pequenos em desvantagem. A falta de regras claras que regualmentem o comércio internacional poderia preocupar as empresas. Os maiores perdedores seriam os grandes países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e África do Sul, que têm uma série de produtos agrícolas que gostariam de exportar para países ricos. Os países mais pobres, que receberam a oferta de acesso livre aos mercados como parte de qualquer acordo, têm menos capacidade de se beneficiar com qualquer abertura de mercado. É por isso que algumas organizações não-governamentais dizem que nenhum acordo é melhor do que um acordo ruim para os pobres, e que seria melhor começar do rascunho para redesenhar o sistema de comércio mundial de uma forma mais justa.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080729_dohafracassoqanda_ac.shtml
Rodada Doha:
Entenda o impacto do fracasso das negociações
Depois de mais de uma semana de
reuniões em Genebra, na Suíça, o diretor-geral da Organização Mundial do
Comércio (OMC), Pascal Lamy, confirmou nesta terça-feira o fracasso das
negociações para um acordo de liberalização do comércio mundial no
âmbito da Rodada Doha.
A reunião em Genebra era considerada decisiva para a Rodada Doha, que foi lançada há sete anos com o objetivo de diminuir os entraves ao comércio internacional, mas estava paralisada devido a divergências sobre o nível de abertura em setores de interesse de países ricos e pobres. Entenda o que está em jogo nas discussões em Genebra e as conseqüências de um fracasso nas negociações. Há quanto tempo as negociações da Rodada Doha vêm sendo realizadas? A Rodada Doha da OMC foi lançada em novembro de 2001, na capital do Catar, com o objetivo de obter maior liberalização do comércio mundial. Quase sete anos depois, os países envolvidos nas discussões ainda não conseguiram chegar a um acordo. Até agora, as discussões têm esbarrado principalmente no tamanho dos cortes de subsídios à agricultura por parte dos países desenvolvidos e no quanto o comércio de serviços pode ser liberalizado. Nos últimos dias, representantes de mais de 30 países participaram das discussões em Genebra. Quais as principais dificuldades nas negociações? Um dos pontos mais polêmicos é o quanto os países ricos aceitam remover suas barreiras a produtos agrícolas exportados pelos países pobres. Também há divergências sobre o quanto as nações em desenvolvimento aceitam abrir seus mercados para bens manufaturados e serviços. Os países em desenvolvimento criticam o que consideram políticas protecionistas, principalmente por parte dos Estados Unidos e da União Européia. Eles querem provas concretas de que os países desenvolvidos estão dispostos a abrir seus mercados com cortes expressivos em suas tarifas de importação e nos subsídios à agricultura. O principal problema é que o livre comércio em agricultura tem se mostrado bem mais difícil de ser negociado do que em bens manufaturados. Em que ponto estão as negociações agora? O fracasso das negociações em Genebra foi anunciado pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. Segundo fontes diplomáticas, o principal motivo do fracasso foi a falta de consenso entre China, Índia e Estados Unidos sobre um mecanismo de salvaguarda que permitiria aos países em desenvolvimento voltar a subir tarifas frente a um aumento excessivo nas importações. Na semana passada, as negociações pareciam estar à beira de um colapso, mas na noite de sexta-feira Lamy conseguiu uma proposta de acordo entre o Grupo dos Sete (Brasil, Índia, Estados Unidos, União Européia, Japão, China e Austrália). A proposta prevê reduzir em 80% o limite de subsídios à agricultura e em 70% os subsídios americanos, para cerca de US$ 14,5 bilhões. No entanto, isso não significaria que os Estados Unidos teriam de reduzir seu gasto real em subsídios aos agricultores, que totalizou US$ 9 bilhões no ano passado. A proposta também prevê cortes nas tarifas de importação de produtos agrícolas e em bens industriais. No entanto, países em desenvolvimento como a China e a Índia afirmam que esta proposta obriga os emergentes a oferecer condições especiais em determinados setores estratégicos, enquanto os países ricos mantêm o direito de proteger produtos agrícolas sensíveis. Alguns países desenvolvidos, como a França, também manifestaram descontentamento com a proposta. Qualquer acordo fechado em Genebra teria de ser aprovado por todos os 153 países-membros da OMC. Qual o prazo final para se obter um acordo? Há uma corrida contra o relógio para se chegar a um acordo. Os envolvidos nas negociações gostariam de fechar um acordo antes que o novo presidente americano assuma o poder, em 2009. O novo presidente dos Estados Unidos pode querer fazer mudanças na política comercial do país, e qualquer acordo sem a participação da maior economia do mundo seria bastante enfraquecido – ou mesmo inútil, segundo analistas. Os atuais problemas na economia mundial afetam as negociações? A saúde da economia global se deteriorou desde a última reunião para discutir a Rodada Doha, com desaceleração no crescimento nos países desenvolvidos e aumentos do custo de vida. A alta mundial dos preços dos alimentos, que dobraram desde o ano passado, teve efeito maior sobre os países mais pobres, onde uma proporção maior da renda familiar é gasta em comida. Segundo analistas, isso levou a um aumento do protecionismo nos países exportadores de alimentos. Os defensores de um acordo afirmam que ele iria ajudar a reduzir a pobreza e a criar empregos nos países em desenvolvimento, enquanto os países ricos podem se beneficiar se conseguirem exportar mais bens e serviços. Calcula-se que um acordo poderia injetar US$ 100 bilhões por ano na economia mundial. Quais as conseqüências de um fracasso nas negociações? Um fracasso nas negociações significa o fim da Rodada Doha, já que as eleições americanas devem dominar a agenda política mundial a partir de agora. Isso enfraqueceria a realização de acordos multilaterais, já que os países negociariam acordos comerciais individuais entre si, o que colocaria os países menores em desvantagem. Os maiores países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, também perderiam com o fracasso nas negociações, porque precisam de mercados abertos para suas crescentes exportações. No entanto, algumas organizações não-governamentais (ONGs) afirmam que é melhor que não haja nenhum acordo do que um acordo que seja desfavorável aos países mais pobres. Para a OMC, o fracasso em obter um acordo depois de sete anos de negociações significaria o maior revés de sua história. Fim de Doha pode
frear novos acordos O fracasso das negociações mundiais de
comércio da Rodada Doha, por causa do conflito entre países ricos e em
desenvolvimento, sugere que outras iniciativas globais, do corte das
emissões de gases de efeito estufa ao fim às restrições para exportação de
alimentos, também enfrentarão barreiras. Todos os esforços de cooperação global
lidam com as mesmas forças: o ressurgimento do nacionalismo no mundo, o
fortalecimento de economias emergentes como China e Índia e o desgaste dos
laços da Guerra Fria que prenderam muitos países em desenvolvimento aos
Estados Unidos e à Europa. "O modo como a Rodada Doha fracassou é uma prévia
do que provavelmente veremos em outras negociações", disse Kimberly Elliott,
do Centro para o Desenvolvimento Global, um instituto de pesquisa
interdisciplinar de Washington. "Os mercados emergentes [como China e Índia]
estão assumindo um papel importante", disse ela, às vezes empurrando até
nações mais pobres. "Se a Rodada Doha fracassar
repetidamente, isso provocará dúvidas sobre a capacidade de todas as partes
de achar soluções para problemas complexos, como mudanças climáticas e altos
preços do petróleo e dos alimentos dentro de uma estrutura global", disse
uma nota da agência de notícias oficial do governo da China, a Xinhua. A Rodada Doha fracassou depois que
China e Índia insistiram em ter o direito de voltar a impor tarifas - ou
aumentá-las - se houver um salto nas importações de alimentos. Em termos de
impacto no crescimento econômico, as questões em debate na rodada foram
relativamente pequenas, se comparadas ao debate sobre aquecimento global. A
limitação do aumento dos gases de efeito estufa pode afetar o crescimento ao
forçar a indústria a reequipar fábricas e aos consumidores a modificar seus
estilos de vida. Esse sacrifício pode gerar uma reação ainda mais hostil de
Nova Déli e Pequim. O projeto americano não passou. Mas
uma versão nova deve despontar no ano que vem, porque ambos os candidatos a
presidente apóiam sistemas desse tipo. Negociadores vinham trabalhando há
sete anos num acordo comercial de Doha, e muitas vezes empacaram. Na reunião
desta semana em Genebra, as partes pareciam mais próximas do que nunca de
alcançar um acordo porque os EUA e a Europa fizeram concessões há muito
esperadas em subsídios agrícolas. Eles esperavam convencer países em
desenvolvimento a abrir mais seus mercados para empresas industriais e de
serviços americanas e européias. O Brasil, um líder entre nações em
desenvolvimento e grande exportador agrícola, assinou embaixo. Apesar de
intensa pressão para irem adiante, Índia e China recuaram. Sob as regras da Organização Mundial
do Comércio (OMC), todos os 153 membros têm de chegar a um acordo. Na
prática, só os participantes economicamente importantes realmente têm voz.
Nenhum país africano está entre as sete nações que conduziram a maior parte
das negociações. A questão dos subsídios americanos ao algodão, que é de
vital interesse para cotonicultores de nações africanas, nem foi discutida. O fracasso das negociações
provavelmente não terá grande impacto imediato no fluxo de comércio
internacional ou no crescimento econômico mundial. À exceção da agricultura
e dos têxteis, as barreiras de comércio são em geral baixas mundialmente por
causa de décadas de corte de tarifas. Mas, mesmo assim, as conseqüências do
fim dos entendimentos foram significativas por causa da mensagem sobre a
dificuldade de se alcançar acordos globais. "Este é o primeiro fracasso de um
acordo de comércio internacional desde os anos 30", uma era de
protecionismo, disse Fred Bergsten, diretor do Instituto Peterson para
Economia Internacional, dos EUA. A não-liberalização do comércio, segundo
previu, pode levar ao aumento dos esforços para proteger indústrias
nacionais ao redor do mundo contra a concorrência externa. Apesar de o
diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, ter manifestado esperança de retomada das
negociações, o comissário de comércio exterior da União Européia, Peter
Mandelson, disse em Genebra que as conversas representaram o "enterro" da
Rodada Doha. Diante do papel preponderante dos
Estados Unidos na formulação de políticas de comércio internacional, o
fracasso de Doha essencialmente deixa o assunto para o próximo presidente,
que muito provavelmente não vai incluí-lo como prioridade. Daniel Tarullo,
professor de direito da Universidade de Georgetown que assessora o senador
Barack Obama, candidato democrata à presidência dos EUA, disse que "os
negociadores americanos estavam certos ao abandonar o que parecia ser um mau
acordo para o país". Tarullo havia dito antes que "negociadores não devem
abandonar seus próprios esforços". Philip Levy, economista do Instituto
Americano da Empresa que assessora o senador John McCain, candidato
republicano, disse que a incapacidade de se obter um acordo "coloca em
questão alguns dos pontos fundamentais do sistema global de comércio". Futuros acordos de comércio devem focar-se em interesses nacionais de menor extensão em lugar do estilo da Rodada Doha, que propunha aos países fazer concessões em uma área para ganhar em outra. Um possível modelo desse tipo é a abordagem da "coalizão da boa vontade". O modelo faz parte do Acordo de Informação Tecnológica firmado em 1996, que fixa tarifa zero em bens de novas tecnologias aos países que o subscreveram. Metade dos membros da OMC assinou esse acordo. (Colaboraram Charles Forelle, de Bruxelas, e Andrew Batson, de Pequim)
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