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Hobsbawn – A Era das Revoluções – capítulo
1 - O mundo na década de 1780 O problema agrário – uma questão
fundamental em 1789 A Guerra dos 7 Anos (fonte:
Wikipedia em Inglês) Conseqüências da Guerra dos 7 anos O processo de independência das treze
colônias americanas Lei do Açúcar (ou lei da receita de 1763) Congresso de Filadélfia (09/1774) Hobsbawn – A
Era das Revoluções – capítulo 1 - O mundo na década de 1780
Era ao mesmo tempo muito menor e muito maior
que o nosso. A maior parte dos oceanos já tinha sido explorada
e mapeada, mas os grandes
rios, exceto os da Índia e China, eram um mistério para quase todo mundo. O mundo conhecido muitas vezes só alcançava alguns poucos km além da
costa. A população era, obviamente, muito menor que a
de hoje. Em 1800 estima-se que 2/3 da população era asiática, 20% européia, 10% africana e 1 em 33 da
América ou Oceania. O clima era provavelmente um pouco mais frio e
úmido que hoje. Doenças endêmicas, como a malária, impediam a
colonização em muitas áreas, como o sul da Itália. Desenvolvimento
das comunicações e transportes em relação aos séculos anteriores. Entre 1760
e o final do século, a viagem Londres-Glasgow foi reduzida de 10 ou 12 dias
para 62 horas. Carruagens postais começaram na 2ª. metade do século XVIII e se
expandiram entre as guerras
napoleônicas e o surgimento das ferrovias. Mas a grande maioria da humanidade era
analfabeta e também o ato de viajar era absolutamente incomum; quando
acontecia era na velocidade das carroças. O transporte por água era mais fácil, barato e rápido – estar perto de um porto era
estar perto do mundo. Era mais facil ligar capitais distantes do que o campo
às cidades. O mundo de 1789 era, para a maioria de seus
habitantes, incalculavelmente grande. A maioria deles vivia e morria no
distrito onde nascera. Não havia jornais, exceto os poucos dirigidos
às classes média e alta. Muito pouca gente sabia ler. As notícias vinham
através dos canais oficiais – Igreja ou Estado. O mundo em 1789 era essencialmente RURAL.Na
Rússia, Escandinávia ou Balcãs, 90 a 97% da população era rural.Mesmo na
Inglaterra, a população urbana só ultrapassou a rural em 1851. O termo “urbano” inclui a multidão de pequenas cidades de
província, onde vivia a maioria dos habitantes urbanos. Estas cidades de província não eram
menos urbanas por serem pequenas. Os autênticos homens das cidades
desprezavam o campo ao redor. A linha que separava as atividades urbanas das
rurais era bem marcada. Em muitos países, impostos ou até muralhas dividiam os dois mundos. Os habitantes das cidades eram muitas vezes
fisicamente diferentes dos do campo. Mesmo se não houvesse diferenças
religiosas ou étnicas, havia diferenças na aparência. A cidade provinciana ainda pertencia
essencialmente à sociedade e
à economia do campo. O auge da cidade provinciana ocorrera no final
da Idade Média. Agora raramente se enontravam cidades livres ou
cidades-Estados. Poucas vezes eram centros produtores para mercados mais
amplos ou importantes palcos no comércio internacional. Assim agarraram-se com obstinação ao monopólio
do mercado local. No sul da Europa cavalheiros e nobres viviam deste
provincianismo, alugando suas propriedades. O problema agrário – uma questão fundamental em 1789
Explica o surgimento da primeira escola de pensamento econômico sistematizado, a
fisocracia francesa. Bases do pensamento fisiocrata: a terra e o aluguel da
terra são as únicas fontes de renda. O problema agrário se resumia então à
relação entre os que cultivavam a terra e os que a possuíam, entre os que
produziam a riqueza e os que a acumulavam. Em termos das relações de propriedade agrária,
a Europa pode ser dividida em 3 segmentos: Colônias de além-mar (exceto EUA) –
trabalho forçado, escravidão, mais raramente camponês arrendatário. Nas Índias
Orientais a forma típica de compulsão era a entrega de cotas da safra. O
proprietário típico era dono de uma propriedade enorme, quase feudal, ou uma
plantação com escravos. A América espanhola exportava produtos de mineração
mas nada exportava em produtos agrícolas. A plantation típica ficava no
Caribe, no sul dos EUA e no norte do Brasil, produzindo culturas de
exportação. Era parte integrante da economia européia e, através do tráfico
de escravos, da economia africana. Leste da Europa Ocidental (mais ou
menos ao longo do rio Elba) – região de servidão agrária. Também a Itália ao
sul da Toscana e da Úmbria e o sul da Espanha pertenciam a esta região,
embora não a Escandinávia (com a exceção de partes da Dinamarca e Suécia). O
lavrador típico não era livre. Esta situação era menos evidente nos Balcãs,
que estavam ou estiveram sob administração direta dos turcos. No resto desta
área o camponês típico era um servo, sua falta de liberdade era tão grande
que mal se poderia distinguila da escravidão, como na Rússia e partes da
Polônia, onde podia ser vendido separadamente da terra. Na Rússia uma grande
quantidade de servos trabalhava em trabalhos domésticos, em 1851 eram quase
5% do total. Na região do Báltico a agricultura servil produzia culturas de
exportação para os paíse do Ocidente: trigo, linho, cânhamo e produtos
florestais. Nas demais regiões, funcionava mais para os mercados regionais. A
maior parte desta agricultura era atrasada. A área de servidão oriental pode ser
considerada também uma “economia dependente” produtora de alimentos e
matérias-primas para a Europa Ocidental, analogamente às colônias de além-mar. A servidão na Espanha e na Itália
tinha características econômicas semelhantes, mas aspectos legais diferentes.
Geralmente eram áreas de enormes propriedades da nobreza. Abaixo
dos magnatas, uma classe de cavalheiros rurais, de tamanho e recursos
variados, explorava os camponeses. Em alguns países ela era demasiadamente
grande, e portanto pobre e descontente, distinguindose dos não nobres pelos
seus privilégios políticos e sociais e pela sua falta de inclinação para o
trabalho. Na Hungria e na Polônia representavam cerca de 10% da população. Na
Espanha, cerca de 500 mil pessoas no final do século XVIII. No resto da Europa, a estrutura agrária era socialmente semelhante.
Para um trabalhador ou camponês, qualquer pessoa que possuísse uma
propriedade era um “cavalheiro” e membro da classe dominante e vice-versa. A ordem feudal implícita estava ainda muito
viva politicamente embora fosse
cada vez mais obsoleta em termos econômicos. Sua própria obsolescência fazia
com que os rendimentos de nobres e cavalheiros fossem ficando cada vez mais
para trás em relação ao aumento dos preços, levando a aristocracia a explorar
com maior intensidade seu único bem econômico inalienável, os privilégios de
status e nascimento. Em toda a Europa continental, os nobres
expulsavam seus rivais mal-nascidos de todos os cargos rendosos no serviço da
coroa. Na França esta reação feudal precipitou a revolução francesa. Na França e na Inglaterra era relativamente
fácil passar à condição de nobre proprietário, desde que houvesse riqueza
suficiente para isso. Mas, o elo entre a posse de terras e o status de classe
dominante continuava de pé, e até tinha se tornado mais forte nos últimos tempos. Economicamente a sociedade rural ocidental era
muito diferente. A propriedade típica tinhase tornado um sistema de cobrança
de aluguéis e outros rendimentos. O camponês mais ou menos livre era o
lavrador típico. Se fosse
tecnicamente um livre proprietário ainda devia ao senhor local várias
obrigações, que poderiam ou não ser convertidas em dinheiro, além de impostos
ao príncipe, dízimos à Igreja e algumas obrigações de trabalho forçado. Mas, se estes vínculos políticos fossem retirados veríamos uma grande
parte da Europa como uma área de agricultura camponesa, em que uma minoria de
camponeses ricos tenderia a se tornar fazendeiros comerciais, vendendo ao
mercado urbano excedentes permanentes da safra e uma maioria de pequenos e
médios camponeses viveria de forma mais ou menos auto-suficiente. O desenvolvimento agrário em direção a uma
agricultura puramente capitalista ocorreu em apenas algumas áreas,
principalmente na Inglaterra. Lá, a propriedade de terras era extremamente concentrada e o agricultor típico
era o arrendatário de um empreendimento comercial médio, operado por mãodeobra
contratada. Entre 1760 e 1830 o que surgiu não foi uma
agricultura camponesa, mas sim uma classe de empresários agrícolas e um enorme proletariado rural. Tecnicamente a agricultura européia era ainda,
exceto em algumas regiões, tradicional e ineficiente. A alimentação na Europa
era essencialmente regional, os produtos de outros climas eram ainda
raridades próximas do luxo, exceto talvez
o açucar. O século XVIII não era um século de estagnação
agrícola. Um longo período de expansão demográfica, urbanização crescente,
fabricação e comércio encorajava/requisitava a melhoria da agricultura. A
segunda metade do século viu o início de surpreendente e ininterrupto aumento da população. O comércio se expandiu, intimamente ligado à
exploração colonial. O sistema de transporte marítimo circundava a terra e
crescia rapidamente trazendo lucros às comunidades européias do Atlântico Norte.
A teia do comércio tornouse cada vez mais densa. As
atividades comerciais e manufatureiras floresciam de forma exuberante. A Grã-Bretanha,
Estado mais bemsucedido do século XVIII, devia seu poderia ao progresso
econômico, e por volta de 1780 todos os governos com pretensão a uma política
racional estavam fomentando o crescimento econômico, especialmente o
desenvolvimento industrial, com graus variados de sucesso. O “iluminismo” derivou sua força
primordialmente do progresso da produção, do comércio e da racionalidade
econômica e científica do período. No
começo do século, as bruxas ainda eram queimadas; no final, os governos do
iluminismo, como o austríaco, já tinham abolido a tortura judicial e a
escravidão. É mais correto chamarmos o “iluminismo” de
ideologia revolucionária, apesar da cautela e moderação política de muitos de seus expoentes,
a maioria dos quais, até a década de 1780, ainda acreditava no despotismo
esclarecido. O iluminismo implicava a abolição da ordem política e social
vigente na maior parte da Europa. Era demais esperar que os anciens régimes
se abolissem voluntariamente. Ao contrário, em alguns aspectos eles estavamse
fortalacendo contra o avanço das novas forças econômicas e sociais. Exceto pela Grã-Bretanha, que fizera sua
revolução no século XVII e alguns Estados menores, as monarquias absolutas reinavam em todos os
Estados na Europa. Na última parte do século XVIII, a necessidade de coesão e
eficiência estatal e o sucesso do capitalismo britânico levaram a maioria destes
monarcas (ou seus conselheiros) a tentar programas de modernização
administrativa, social e econômica. Alguns pouco fizeram na prática. As classes média e instruída e as empenhadas no
progresso buscavam o quase sempre poderoso aparelho central de uma monarquia
“iluminada” para levar a cabo suas esperanças. No entanto, a monarquia absoluta achava
impossível e pouco se interessava em libertarse da hierarquia dos nobres
proprietários, à qual, afinal, pertencia. A monarquia absoluta, apesar de
teoricamente livre para fazer o que bem entendesse, na prática pertencia ao mundo do feudlismo – ela estava
preparada para fortalecer seu poder político lançando uma propriedade, classe
ou província contra a outra. Ela quase nunca desejou, e nunca foi capaz de atingir,
a total transformação econômica e social que exigiam o progresso da economia
e os grupos sociais ascendentes. Por exemplo, poucos conselheiros de
príncipes duvidavam da necessidade de abolir a servidão, mas de fato antes de
1789 ela só ocorreu em pequenos e atípicos Estados. A Revolução Francesa e a
revolução de 1848 foram quem, de fato, aboliram a servidão em toda a Europa
Ocidental e Central. Havia então um conflito latente que se tornaria
aberto entre as forças da velha e da nova sociedade “burguesa”, que não
poderia ser resolvido dentro das estruturas políticas existentes, exceto na Grã-Bretanha, onde o regime
já havia incorporado o triunfo burguês. Os regimes se tornaram ainda mais vulneráveis
porque estavam sujeitos a pressões de 3 lados: das novas forças, dos velhos
interesses e dos inimigos estrangeiros. O ponto mais frágil era aquele em que as
oposições do velho e do novo tendiam a coincidir: nos movimentos de autonomia
das colônias ou províncias remotas. Em si mesma, a dissidência colonial ou
provinciana não foi fatal – as velhas monarquias podiam sobreviver, e a principal vítima
da autonomia das colônias, a Grã-Bretanha, não sofria das fraquezas dos
velhos regimes. A rivalidade internacional é que tornou a
situação explosiva. Houve diversos períodos de guerra geral: 16891713, 17401748, 17561763, 17761783, 17921815. A França,
embora tivesse despertado a hostilidade britânica com a rápida expansão de
seu império e de seu comércio colonial, era também a mais poderosa monarquia absoluta. A Inglaterra venceu todas as guerras, exceto uma, e ainda suportou organizá-las, financiá-las
e desencadeá-las com relativa facilidade. Após a Guerra dos 7 Anos (1756-63),
a revolta das colônias americanas deu aos ingleses a oportunidade de virar a
mesa sobre a França, que aceitou o desafio. A Guerra dos 7 Anos (fonte: Wikipedia em Inglês)
A Guerra dos 7 anos envolveu todas as maiores
potencies européias do período e estendeuse não só pela Europa mas também
pelas colônias, incluindo a guerra Franco-Índigena (?) de 1754 a 1763 nos
EUA. Em linhas gerais, de um
lado estavam a Prússia e o Reino Unido (e suas colônias na América do Norte)
e do outro a Áustria, França (e colônias) e o império Russo. Posteriormente,
Portugal ficou do lado inglês e a Espanha do lado francês. No final da Guerra a França perdeu grande parte das suas
colônias nas Américas e a Inglaterra emergiu como a potência colonial
dominante no mundo. A Marinha francesa foi severamente atingida. Do outro
lado do mundo, a Companhia das Índias Ocidentais Britância alcançou a posição
dominante na Índia. Esta talvez tenha sido a primeira guerra “mundial”. O
conflito começou com a invasão da Saxônia por Frederico II da Prússia. Na aliança da Prússia com a Inglaterra, as duas
potências eram complementares. Os ingleses já tinham a maior marinha da Europa, e os prussianos o
melhor exército, o que permitia aos ingleses direcionar suas forças
terrestres para fora da Europa continental, ou seja, para as colônias. A França se aliou aos novos EUA e ganhou a
guerra na América do Norte, mas
a um custo excessivo. As dificuldades resultantes levaram o país a um período
de crise interna e seis anos depois surgiria a Revolução. Conseqüências da Guerra dos 7 anos
Fonte: Divine, Breene – América, Passado e Presente No
fim da guerra (paz de Paris, 10 de feveireiro de 1763), os franceses tinham
sido afastados da América do Norte, ficando apenas com suas colônias no
Caribe. A Grã-Bretanha ficou com o Canadá, a Flórida e todas as terras a
leste do Mississipi. A
guerra causou uma impressão profunda na sociedade americana – ela forçou uma
colaboração sem precedentes entre os colonos e aumentou o contato com a
metrópole. Além disso, a guerra treinou um corpo de oficiais americanos, como
George Washington. O processo de independência das treze colônias americanas
Fonte: Divine, Breene et al – América,
Passado e Presente, Capítulos 5 e 6 O estímulo inicial da Revolução Americana veio da pequena nobreza, dos ricos e bem
nascidos. Logo perderam o controle, à medida que o movimento revolucionário
gerava sua própria força. Em 1763, os laços de lealdade que tinham
sustentado o império britânico se dissolviam lentamente. Em várias questões, os dirigentes britânicos e os
colonos poderiam ter chegado a um acordo. O fracasso em conseguir acordos
resultava de milhares de decisões isoladas, erros e mal-entendidos. O rei George III não foi o único culpado pela
perda do império inglês na
América do Norte. O Parlamento também falhou, criando estatutos que causaram
dissensões entre os colonos e a metrópole e se apegando teimosamente ao
princípio da soberania parlamentar quando os americanos questionaram o poder
de um legislativo em Londres dirigir
os assuntos coloniais. Por mais de um século, as idéias dos americanos
a respeito de seu papel dentro do Império Britânico tinham sido um conjunto
de pressupostos vagos acerca de liberdades pessoais, direitos de propriedade
e instituiçãos representativas. Em
1763 certas convicções fundamentais americanas tornaram-se claras. Os
americanos acreditavam firmemente que tributo era tributo, não importava o
nome que tivesse, e que o Parlamento não tinha direito de coletar impostos
nas colônias americanas, especialmente porque não havia americanos com
assento nesse mesmo Parlamento. O pensamento político nas colônias continha um
forte componente moral que o britânicos nunca puderam entender por completo.
A virtude cívica (sacrifício do interesse pessoal pelo bem público) tornou-se o tema dominante nos
escritos dos políticos revolucionários. Os escritores populares analisavam as
relações anglo-americanas em termos conspirativos, usando uma linguagem
carregada de emoção. Os jornais das colônias espalhavam estas idéias por uma
população grande e dispersa, na qual a maioria dos homens brancos sabia ler.
Por isso, o número de jornais cresceu muito durante o período revolucionário. O jornal foi o elo entre as colônias,
informando sobre as suas atividades políticas e também providenciou a retórica que estimulou
o povo a pegar em armas contra a Grã-Bretanha. Após a Guerra dos 7 anos, a Grã-Bretanha manteve
cerca de 7 mil homens de seu exército regular na América do Norte. O objetivo
era supostamente preservar a ordem na Flórida e Quebec (recém-conquistados) e criar uma barreira
entre os índios e os homens a fronteira. Na verdade, o exército inglês ficou
na América do Norte mais por confusão
e inércia burocrática que por outros motivos. A guerra sobrecarregou o orçamento da Grã-Bretanha.
Nem a metade do orçamento era
suficiente para pagar os juros da dívida. A crise financeira pesava sobre os
contribuintes ingleses e incitou o governo a procurar novas fontes de
receita. Na América, os colonos duvidvam do valor deste
exército extraordinariamente caro. Na tentativa de reduzir a dívida, o governo
inglês começou a lançar uma série de medidas, todas muito impopulares. Lei do Açúcar (ou lei da
receita de 1763) A finalidade
principal era levantar dinheiro para o governo da Grã-Bretanha. Alterava as Leis de Navegação que haviam
governado o fluxo de comércio colonial por quase um século. A nova lei
impunha tarifas de importação sobre o açúcar, café, vinho e outros, instituía
métodos mais rigorosos para a coleta de impostos, criava medidas para tentar
evitar o contrabando de melaço e a corrupção e expandia a jurisdição dos
tribunais do vice-almirantado. A reação americana veio rápido. Houve petiçãos
de protesto (sem violência), que foram encaradas pelos ingleses como
ingratidão. A lei do selo: crise política
Antes mesmo da lei do açúcar entrar em vigor,
Grenville (1º. Ministro em 1763) já tinha outro projeto para aumentar a
receita, apesar de alertado por alguns membros do Parlamento sobre os ressentimentos que o projeto
iria causar entre os americanos. A Lei do Selo exigia que todos os documentos
impressos levassem um selo fiscal comprado em distribuidoras do rei, e
entraria em vigor em novembro de 1765. A notícia chegou à América em maio, e
a reação foi rápida e forte. A Virginia se manisfestou contra a lei, e
publicou as “Resoluções da Virginia”, em que declaram que só os virginianos
tinham o direito de se taxar a si próprios quando e apenas se julgassem
apropriado. A imprensa das colônias publicou as “resoluçãos”, mas as notícias nem
sempre eram precisas e claras. Como resultado, os virginianos ficaram numa
posição extremamente radical sobre o problema da supremacia do Parlamento, e
esta posição seria proclamada por outros colonos diante de suas assembléias. Nove colônias enviaram
representantes para o Congresso da Lei do Selo, realizado em Nova Iorque em
outubro de 1765. Os delegados aprovaram petiçãos ao rei e ao Parlamento que
restabeleciam a convicção de que nenhuma taxação devia ser imposta a eles, a não ser com
seu consentimento, dado pessoalmente ou através de seus representantes. Não
havia qualquer menção à independência ou deslealdade para com a Coroa. A resistência à Lei do Selo logo passou de
petições para protestos de
massa nas ruas. Por volta de 01 de novembro de 1765, os distribuidores de
selos de quase todos os portos americanos tinham pedido, publicamente,
demissão. Os selos fiscais não podiam ser vendidos. Os americanos ainda não
sabiam, mas Grenville já havia caído. Seu substituto, Rockingham, já havia
solicitado a revogação da Lei do Selo, que foi revogada em 22/02/1766. Mas, a revogação da Lei do Selo não serviu para
restaurar a harmonia imperial. Em março de 1766, a Câmara dos Comuns aprovou
a Lei Declaratória, uma
defesa intransigente da supremacia parlamentar sobre os americanos “ em todos
os casos”. Na América, também, as atitudes endureceram. Rockingham foi substituído por Pitt (já idoso),
mas quem mandava mesmo era Townshend, chanceler do Tesouro. Em 01/1767 ele anuncia à Câmara dos
Comuns uma boa idéia de obter receita dos americanos. O plano era um grupo de
impostos sobre as importações americanas de papel, vidro, tinta e chá. Foram
as Leis Townshend de Receita (05/1767). Os americanos organizaram boicotes, e a importação de objetos
finos passou a simbolizar a corrupção pilítica da Inglaterra. Os americanos
sentiam orgulho de usar tecidos feitos em casa, um sinal de simplicidade e
virtude. Em 02/1768, a Câmara de Representantes de
Massachusetts redigiu uma
circular, enviada paras as outras Assembléias, pedindo sugestões para
contrariar as Leis Townshend. O secretário inglês para assuntos americanos,
quando descobriu, sentiu-se ofendido, e ordenou que os legisladores
repudiassem a carta, e eles se recusaram. A Câmara de Representantes de
Massachusetts foi então dissolvida e as outras colônias mostraram o seu
apoio, aprovando a circular em desafio. Os ingleses então dissolveram as
outras Assembléias. Em 10/1768 mais um grande erro inglês. Em parte para intimidar criadores de casos,
os ingleses decidiram estacionar 4 mil soldados nos arredores de Boston. Em
março de 1770 irrompe a violência na cidade. Arruaceiros usaram pedras para
bombardear uma pequena patrulha da odiada comissão alfandegária e, à medida
que a multidão aumentou e ficou mais agressiva, as tropas entraram em pânico
e atiraram, matando 5 americanos. Isso ficou conhecido como o “massacre de
Boston”. Lord North tornou-se 1º. Ministro em 1770 e
permaneceu por 12 anos. Uma de suas
primeiras medidas foi recomendar a revogação das tarifas Townshend, que não
só enraiveciam os americanos mas também prejudicavam as exportaçãos de
manufaturados da GRÃ-BRETANHA e encorajavam os americanos a desenvolver suas
próprias indústrias. O Parlamento acabou com todas as tarifas EXCETO a do
CHÁ. Por um breve período, as coisas pareciam ter
voltado ao normal. Mas, os laços de lealdade imperial continuavam muito
frágeis e, enquanto Lord North tentava conquistar a confiança dos americanos,
os funcionários da Coroa na
América criavam novas tensões. Os fiscais da alfândega abusavam do seu poder
de busca e apreensão, não eram só corruptos, mas também insensatos, criavam
dificuldades para os ricos e para os homens do povo e levaram os membros da
classe dirigente na colônia para a oposição ao rei e a seu governo. Em maio de 1773, o Parlamento volta aos seus
velhos truques. Aprovou a Lei do Chá, criada para salvar a quase falida East
India Company, não para aumentar a receita. Autorizava a empresa a embarcar
seu chá diretamente para a
América, eliminando os intermediários coloniais e permitindo que os
americanos comprassem chá a preços baixíssimos. O plano fracassou, pois a
tarifa Townshend continuava em vigor e a lei parecia uma maneira duvidosa de
obter apoio popular para o direito do Parlamento de taxar as colônias sem
representação. Também, a lei ameaçava o poder dos contrabandistas de chá de
Massachusetts e outros grupos mercantis de Boston. Os americanos logo protestaram. Em Filadélfia e
Nova Iorque os navios foram mandados de volta antes de descarregar. Em Boston
o governador inglês não deixou que isso acontecesse e os navios ficaram no
porto abarrotados de chá. Em 16/12/1773 um grupo de homens disfarçados de índios invadiu os
navios e jogou a carga no mar. É a “Boston Tea Party”. Quando as notícias chegaram
a Londres no mês seguinte, o ministério de North ficou chocado – a supremacia
do Parlamento tinha sido tratada com o máximo desprezo. Para sufocar este
tipo de rebelião, o Parlamento aprovou uma série de leis chamadas Leis
Coercitivas (ou Leis Intoleráveis, como ficaram conhecidas
na América): - Fechamento do porto de Boston até que
a cidade compensasse a East India Company - Reestruturação do governo de
Massachusetts, restrição no número de reuniões municipais a uma por ano - Permitia a governador real a
transferência de funcionários britânicos presos por infraçãos cometidas em
assuntos tarifários para a Inglaterra ou o Canadá, onde havia pouca
possibilidade de condenação - Autorizava o exército a aquartelar
tropas onde fosse necessário As leis tinham um claro caráter de vingança, e
isso minava a influência dos colonos moderados. Os americanos de todas as
origens se levantaram em defesa
de Massachusetts. Mandaram alimentos, dinheiro e refletiram sobre o que
significava ser um colono do Império Britânico. E quanto mais refletiam, mais
objetavam contra a idéia de soberania do Parlamento. Congresso de Filadélfia
(09/1774)
- 55 delegados de 12 colônias (a Georgia não mandou ninguém, mas
concordou em apoiar as decisões tomadas). - Atraiu muitos líderes repeitados, mas os
delegados eram estranhos uns para os outros. Sabiam muito pouco a respeito
dos costumoes, valores, geografia, economia, das outras províncias. - Samuel Adams conseguiu colocar os moderados
numa posição muito mais radical que eles desejavam. Os delegados mais
radicais dominaram as conversaçãos. - Concordaram em formar uma associação para
interromper todo o comércio com a Grã-Bretanha até que o Parlamento revogasse as Leis Intoleráveis. - Concordaram também em se reunir no ano
seguinte. Em Abril de 1775 – começa a guerra, tiros entre
ingleses e milicianos de Massachussetts. Segundo Congresso Continental – Filadélfia –
Maio de 1775 |
